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Artigo

5 Fatores que Trouxeram Vida a uma Igreja que Estava Morrendo

J. D. Greear 06 de Janeiro de 2015 - Igreja e Ministério

A igreja que eu pastoreio, a Summit Church, foi plantada em 1962. Em 2010, contudo, a Summit Church (então chamada Homestead Heights Baptist Church) era uma igreja batista sem progresso e em declínio. O pastor em exercício havia sido convidado a se demitir, após ser pego em imoralidade. O pastor anterior a ele havia tentado, sem sucesso, impor o modelo da igreja de Willow Creek[1] e o pastor anterior a ele era teologicamente moderado. Quando cheguei, a igreja estava em seu quarto ano seguido de declínio na freqüência e nas ofertas, e o cenário era desolador.

Cinco fatores vivificantes

Apenas Deus dá vida a coisas mortas. Mas aqui estão cinco lições que eu aprendi e que, segundo creio, contribuíram para a revitalização de nossa igreja.

1. Transformação interior conduz a mudança exterior.

Assim como mudanças exteriores e moralistas não podem transformar o coração humano, também mudanças exteriores nos programas ou estruturas da igreja não podem revitalizá-la. É como tentar curvar uma barra de metal sem primeiro aquecê-la: ou ela resistirá completamente à mudança ou simplesmente quebrará em duas.

A mudança interior no crente ocorre apenas por meio da pregação do evangelho. As pessoas se tornam dispostas a sair e alcançar outros à medida que aprendem mais acerca de Deus e do que ele fez.

Há um tempo para promover mudanças e um tempo para apenas pregar Jesus. É preciso de sabedoria para saber o que fazer em cada ocasião. Uma igreja que tem o seu “primeiro amor” (Apocalipse 2.1-10) provavelmente suportará até as mais incômodas mudanças para completar a missão.

À medida que a Summit Church desenvolveu um amor pelos perdidos, mudar as nossas estruturas para alcançar mais pessoas se tornou relativamente fácil.

2. Não subestime o poder do ímpeto.

É mais fácil mudar igrejas que estão crescendo, assim como é mais fácil pilotar uma bicicleta que está em movimento. Em qualquer organização, incluindo uma igreja, o ímpeto pode proporcionar o capital de que você necessita para realizar a mudança. Sun Tzu, autor do clássico militar de 2.500 anos A Arte da Guerra, disse que o ímpeto é o aliado mais valioso de um general. Pequenos exércitos podem obter grandes vitórias se souberem como construí-lo.

Considere focar-se, primeiro, em mudar aquelas coisas que impedem a igreja de crescer. Quando o crescimento está ocorrendo, você perceberá ser mais fácil mudar as outras coisas. À medida que as pessoas experimentam a alegria de novos crentes nascendo no meio delas, elas se tornam mais dispostas a abandonar aquilo que é mais confortável para elas e a abraçar o que é mais eficaz para alcançar outros.

Além disso, na maioria dos casos, eu o encorajaria a gastar mais tempo desenvolvendo as pessoas que estão com você do que lidando com aqueles que são contra você. Ímpeto e excitação costumam silenciar a oposição. Então, em vez de gastar muito tempo apagando incêndios, talvez você queira começar o seu próprio.

Quando eu cheguei à Summit, houve diversos problemas que nós escolhemos ignorar, ao menos naquele primeiro momento. Isso incluía questões de vestimenta, estilo musical, a duração dos cultos e uma constituição ineficaz (e de algumas maneiras não bíblica). Nós mudamos umas poucas peças-chave as quais sabíamos que iriam indicar um novo tempo na igreja e estabelecemos algumas grandes metas para ações evangelísticas que ocorreriam em breve. Ao alcançarmos aquelas metas, nós fizemos questão de celebrar a fidelidade de Deus nelas. Após uma daquelas ações evangelísticas, nós batizamos o nosso primeiro crente afroamericano. Um senhor mais velho, que mais tarde se tornaria moderador do conselho de presbíteros, veio a mim com lágrimas nos olhos e disse: “Filho, eu não estou empolgado com muitas dessas mudanças que você está fazendo. Mas se isso é uma amostra do que nós iremos ter, conte comigo”.

Durante aquele primeiro ano, eu batizei uma estudante de intercâmbio, vinda de um país cuja língua natal ocorreu-me falar (havendo morado naquele país por dois anos), então eu conduzi o batismo dela naquele idioma. Depois daquilo, eu provavelmente poderia ter sugerido que todos nós plantássemos bananeira na igreja, e as pessoas teriam me seguido. Em dois anos, nós mudamos nossos costumes quanto à vestimenta, vendemos nosso imóvel e reescrevemos nossa constituição, tudo isso sem um voto divergente. Se eu tivesse sugerido aquelas coisas durante o primeiro ano, teria sido um banho de sangue. Mas, depois que ganhamos impulso, elas mudaram naturalmente.

Vença algumas “batalhas” no evangelismo e, então, celebre-as. Não é isso que vemos os salmistas fazerem tanto para fortalecer sua própria alma como para inspirar uma visão para o futuro? No Salmo 48, os filhos de Corá dizem a Israel: “Percorrei a Sião, rodeai-a toda, contai-lhe as torres; notai bem os seus baluartes, observai os seus palácios, para narrardes às gerações vindouras que este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte”.

3. Guarde-se de lutar batalhas que não lhe levarão a lugar nenhum.

Uma terceira lição está atrelada à segunda. Guarde-se de lutar batalhas, não importa quão dignas sejam, que não lhe darão grande vantagem estratégica.

Algumas batalhas (às vezes batalhas dignas!) não lhe ajudarão na mais ampla “guerra” de revitalização. Com freqüência, se você as adiar, poderá vencê-las depois sem derramar nem uma gota de sangue – de ambos os lados. Saiba quais batalhas lutar em cada ocasião.

Eu tenho percebido que líderes perfeccionistas tendem a ter problemas com este princípio, porque não são capazes de discernir o “certo” do “oportuno”. Algumas vezes, nós nos esquecemos de que o objetivo não é vencer batalhas, mas sim liderar pessoas.

O apóstolo Paulo parecia entender isso. Algumas vezes, ele deixou que pessoas difamassem seu caráter; em outras, ele defendeu seu apostolado. Algumas vezes, ele buscou conformar-se à lei; em outras, ele publicamente reprovou aqueles que se recusavam a abraçar a sua liberdade. Seu padrão de envolvimento consistia em saber o que era estratégico para a missão (1Coríntios 9.19-27; Gálatas 2.11-15).

É claro que isso não significa que nós toleraremos pecados escancarados ou significativos erros doutrinários na igreja. Significa apenas que nós lutaremos as batalhas certas nos momentos certos.

4. Crie uma cultura de envio.

Em minha opinião, criar uma cultura de envio é essencial para revitalizar uma igreja. Igrejas revitalizadas vêem a si mesmas como comunidades em missão com Deus, não como clubes de campo para cristãos.

Uma coisa muito prática a ser feita para encorajar essa mentalidade é enviar o maior número de pessoas possível a viagens missionárias de curta duração. Poucas coisas abrem melhor nossos olhos para uma vida missional quanto passar tempo com missionários em outros países. Quanto mais essa mentalidade entrar na corrente sanguínea da igreja, mais os membros se tornarão dispostos a aplicar princípios missionais em seus próprios contextos.

Durante nossos primeiros dois anos, nós enviamos um número incomum de nossos membros e líderes para outros países. Isso custou muito dinheiro e tomou tempo valioso, mas efetuou duas coisas. Primeiro, isso aumentou o nível de generosidade em nossa igreja. Ao verem as necessidades do campo, as pessoas ofertavam mais. As viagens podem ter nos custado muito dinheiro, mas elas se pagaram muitas vezes mais. Segundo, isso fez com que nossos membros se perguntassem se eles estavam labutando para alcançar a nossa cidade do mesmo modo como os missionários em outros países estavam labutando para alcançar as suas.

Quando você cria uma cultura de envio em sua igreja, você provavelmente perderá alguns de seus melhores membros para uma igreja em plantação ou para uma obra missionária. Mas não tenha medo; a cultura de envio cria mais líderes para assumirem o lugar deles. Tem funcionado conosco como os cinco pães e os dois peixes: quanto mais nós damos, mais é multiplicado e nos é dado de volta.

5. Lidere o seu povo a anelar.

O místico francês Antoine de Saint Exupéry disse uma vez: “Se você quer construir um barco, não angarie homens para ajuntar madeira, não divida o trabalho nem dê ordens. Em vez disso, ensine-os a anelar pelo vasto e infinito mar”. À medida que as pessoas anelam pela salvação do mundo, elas não apenas apoiarão as mudanças que você propõe, mas provavelmente também instigarão por si mesmas algumas outras mudanças. É aí que a igreja estará de fato revitalizada.

Novamente, é a pregação do evangelho que produz esse anelo. O evangelho nos faz reverenciar Jesus, que, sendo rico, por nossa causa se fez pobre. Ele nos impele a nos entregarmos em favor dos outros, assim como ele se entregou por nós. O evangelho desperta as pessoas de sua soneca de classe média para seguirem Jesus à medida que ele busca e salva o perdido. Ele os move para amar o pobre, o estrangeiro e o exilado.

O evangelho nos ensina a ver o mundo pelas lentes do Deus compassivo que se apresenta na cruz e se revela na ressurreição. O evangelho nos enche de uma fé audaciosa, fazendo-nos (nas palavras de William Carey) “esperar grandes coisas de Deus e então empreender grandes coisas para Deus”.

O evangelho nos faz anelar por ver a glória de Deus cobrir a terra como as águas cobrem o mar. Ele nos dá uma paixão pelo seu reino que excede o nosso conforto com o status quo. À medida que o evangelho se tornou mais e mais o centro de nossa igreja, eu tenho visto os membros de nossa igreja fazerem as coisas mais impressionantes – de mudar-se de bairros ricos para outros mais pobres a adotar crianças desprezadas, a amar refugiados e a compartilhar Cristo com seus vizinhos.

Então, concentre-se pessoalmente no evangelho. Medite nele até que ele queime em seu peito e você não possa contê-lo. Então, pregue-o, deixando que ele faça a obra de revitalização.

[1] N.T.: megaigreja norte-americana fundada pelo pastor Bill Hybels, considerado junto com Rick Warren o pai do movimento “sensível ao visitante” (seeker-sensitive)

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J. D. Greear
Autor J. D. Greear

J.D. Greear é pastor presidente das Summit Churches em Raleigh-Durham, Carolina do Norte. É autor, mais recentemente, do Stop Asking Jesus Into...



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