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Artigo

Ao Novo Pastor

Joseph Irons 10 de Julho de 2003 - Liderança da Igreja

Prega a Palavra de maneira experimental — isto demonstra que algo mais do que um credo sadio é um dos requisitos para a existência de um verdadeiro cristão. Vida! A vida de Deus tem de ser concebida na alma, pois, do contrário, aquele que simplesmente professa ser cristão se assemelha a um bloco de pedra que passou pela mão do escultor e foi moldado na imagem de um homem, mas não pode falar, andar, comer, nem trabalhar.

Receio que nesta condição se encontram milhares de pessoas que se passam por cristãos em nossos dias. Ser um verdadeiro cristão significa possuir a vida de Deus na alma, por meio da poderosa vivificação da sua graça. Significa ter Cristo formado no coração, a esperança da glória; ser um ramo da “Videira Verdadeira” — um membro da Cabeça viva. Sim, significa ser tornado capaz de realizar as funções peculiares da vida espiritual e gozar antecipadamente da vida eterna, por viver na plenitude de Cristo, andando com Deus e mantendo comunhão com os céus. Eu tremo quando penso na ilusão que prevalece entre os homens neste assunto crucial, ao colocarem a aparência da piedade no lugar do seu poder.

Meu irmão, se Deus prolongar a minha vida, espero observar o seu ministério. E ficarei muitíssimo triste se descobrir que o formalismo vazio e professos de coração dividido permanecem sem perturbação no seu pastorado. Você deve suspeitar imediatamente que algo está errado em seu ministério, se os seus ouvintes aprovam o seu ministério e, ao mesmo tempo, se deleitam com o pecado e tranqüilizam suas consciências na busca por diversões mundanas.

Apresso-me em descrever mais particularmente a posição oficial que vocês agora mantêm na igreja de Deus — o pastor. Uma coisa é ser pregador; outra é ser pastor. Existem muitos pregadores que, de maneira alguma, estão qualificados para serem pastores de igrejas. A todos os pregadores eu posso dizer: “Prega a palavra!” Mas, para você, eu tenho algo mais a dizer: “Insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina”. O quê? Temos de fazer isto sempre? Sim, sempre. “Insta, quer seja oportuno, quer não.” Por amor a Cristo, à Igreja, à própria alma e à sua saúde, eu o exorto: seja vigilante no exercício deste ofício sublime.

Sim, por amor a Cristo, todo o seu tempo não é suficiente para que exalte o precioso nome dEle. E, visto
que há poucos que O honram, seja este o seu perpétuo trabalho. Sim, por amor à Igreja, pense no valor das almas preciosas confiadas ao seu cuidado pastoral! Lembre-se de que elas esperam ser alimentadas; freqüentemente, elas virão à casa de oração, parecendo ovelhas famintas, supondo que você lhes trará algo da plenitude de Cristo, da qual elas poderão sobreviver. E elas não devem ser desapontadas. Eu lhe encarrego: inste, quer seja oportuno, quer não, em seu púlpito, em seu escritório, no seu relacionamento com as pessoas de seu encargo. Enquanto você lê, visita, passeia ou viaja, transforme cada incidente e cada objeto em um servo do seu grande propósito, no ofício pastoral, para a glória de Deus.

Mas existem outras partes do ministério pastoral referidas em nosso versículo. Você tem de corrigir as inconsistências, o mau humor, o espírito mundano, o amor por pree-minência, as desordens familiares e a falta de bondade fraternal deles; à medida que, com freqüência, expõe estes e outros males entre os que estão ao seu encargo.

Você tem de “repreender” escandalosos que professam ser crentes, heresias abomináveis e hipócritas bajuladores; pois esteja certo de que encontrará tais pessoas no decurso de sua carreira pastoral. E, se não forem repreendidos, eles roerão como um câncer as partes vitais de sua tranqüilidade e de sua utilidade. Não deixe de visitar os enfermos. Muitas bênçãos são conseguidas no leito de crentes enfermos. Quando meu escritório se mostrou completamente infrutífero, obtive muitos sermões ao visitar tais crentes. E, quando as minhas visitas foram uma bênção para o enfermo e moribundo, também se tornaram uma bênção para mim. Deste modo, comprovei que “melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete”.

Nosso versículo nos mostra também que, em todas as suas partes, nosso ofício deve ser realizado “com toda a longanimidade e doutrina”. Existe uma peculiaridade nesta expressão que faremos bem se a observarmos. Longanimidade e doutrina aparecem juntas, como se o apóstolo estivesse dizendo que a longanimidade sem doutrina pode degenerar-se em dissolução; e a doutrina sem longanimidade pode tornar-se severidade. Por conseguinte, enquanto você demonstra longanimidade para com o fraco e o perverso, não ceda nenhum ‘i” de doutrina à fraqueza ou à perversidade deles. E, enquanto você mantém com firmeza todas as doutrinas da graça, pratique tolerância e longanimidade para com aqueles que não podem receber tais doutrinas; lembre-se da exortação apostólica: “Disciplinando com mansidão os que se opõem”.

Oponha-se apenas no Espírito de Cristo. Mas, sempre que a verdade de Deus for atacada, tenha coragem de um leão, assim como Cristo teve. Se o seu nome e o seu caráter forem atacados, pense nEle, que, ao ser ultrajado, não revidou com ultraje. Se a honra do seu Senhor for assaltada, enfrente o inimigo com a Palavra do Espírito. Se você for golpeado em uma face, ofereça a outra também.

Tenha como seu moto aquelas agradáveis palavras do apóstolo: “Santidade e sinceridade de Deus”. Utilize grande clareza de linguagem, evitando idéias extravagantes e frases esquisitas. O evangelho não precisa de outra roupagem, além da sua própria; portanto, não procure acrescentar-lhe adornos; não se humilhe a ponto de rebaixá-lo. Rejeite novidades, procure o velho caminho e ande nele.

Apresso-me a mencionar a última característica do encargo transmitido pelo apóstolo, ou seja, o motivo solene: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina”. Meu irmão, o tempo já chegou. Embora muitos discutam sobre isto, estou disposto a comprovar que, onde as doutrinas da graça forem completamente ensinadas, com clareza, a mente carnal se levantará contra tal pregação e tais ensinadores. Sim, esta é a atual situação degenerada da igreja de Deus: milhares de pessoas que apresentam algumas evidências de serem nascidas de Deus se mostram hostis para com as mais preciosas verdades do evangelho eterno e tomam posição ao lado dos perseguidores dos servos de Deus.

O perverso fermento do arminianismo se infiltrou tanto na Igreja de Deus, que até os verdadeiros crentes não suportam as doutrinas que prostram o homem até ao pó e exaltam somente a Deus. Por isso, os arautos da verdade, sobre os quais Deus colocou a mais distinta honra, são constantemente reprovados como homens perigosos; e as pessoas são advertidas, com freqüência, a não ouvi-los. E tudo isto é feito em meio a pretensões de amor universal. Portanto, você tem de preparar-se para abandonar as doutrinas da graça ou para enfrentar perseguição por ensiná-las, especialmente da parte daqueles que têm o nome de ministros do evangelho.

Tornou-se uma prática comum entre os teólogos modernos negar algumas doutrinas e perverter outras. Oh! Sentimos indignação diante desse neutralismo traiçoeiro! Abracemos toda a verdade ou renunciemos totalmente o cristianismo! Pois, se as doutrinas principais são rejeitadas, muito pouco nos resta. Eu não me admiro de que os incrédulos zombem da verdade, considerando-a uma fábula inventada com muita astúcia. Não é terrível, meu irmão, que entre os que se identificam como evangélicos existem muitos homens que têm descaramento suficiente para negar a eterna união da Igreja com o seu Cabeça e a eterna responsabilidade dEle em favor de seu corpo? Com certeza, não precisamos de melhores provas de que chegou o tempo em que os homens não suportam a sã doutrina. Portanto, você tem o encargo de ser honesto e ousado em defesa da verdade.

Oh! como as outras doutrinas são pervertidas! Por exemplo, a doutrina da expiação é apresentada, freqüentemente, como a satisfação da justiça divina em relação ao pecado, sem qualquer referência aos eleitos de Deus. E, quando se fala sobre a regeneração, constantemente se emprega termos que permitem o pecador imaginar que a regeneração é uma obra dele mesmo, que não consiste em nada mais do que um aprimoramento da velha natureza. Assim, podemos dizer que os homens não suportam as mais preciosas doutrinas da graça, quando elas são plenamente ensinadas. Portanto, meu irmão, compete a você, bem como a todos os que conhecem o amor da verdade, ser vigilante e ousado na causa do Senhor, lembrando a bendita exortação de nosso Senhor: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.

Não recue diante da verdade por temer a perseguição. Você não pode evitá-la nestes dias, exceto por infringir sua consciência e sacrificar sua utilidade no santuário sacerdotal. Você deve esperar que será chamado hipercalvinista, supralapsariano, antinomiano e outros títulos repugnantes, que o representarão como um monstro. Mas não tenha medo, somente tenha cuidado de si mesmo e da doutrina (cf. 1 Tm 4.16), e Deus cuidará de você.

Acautele-se de seu próprio espírito! Quando você for atingido por um insulto, achará difícil preservar a moderação cristã. E, se os inimigos da verdade puderem ser bem-sucedidos em provocá-lo a dizer alguma palavra sórdida, eles não falharão em desprezar seu nome por causa do pecado do qual eles mesmos são os autores. Por essa razão, seja importuno com Deus, a fim de que a mentalidade de Cristo esteja em você; e torne estas palavras o lema de seu púlpito: “Falando a verdade em amor”.

Não posso terminar minha advertência para você, meu filho, sem mencionar aquela bendita exortação de nosso Senhor: “Acautelai-vos dos homens”. É agradável ver a calorosa recepção demonstrada a você e ao seu ministério, em sua ordenação. Deus a perpetue! Mas não fique surpreso, se alguns dos que hoje clamam “Hosana” mudarem, pouco a pouco, o tom de suas palavras e disserem posteriormente: “Vá embora daqui”. Agradeça a Deus pela bondade de suas criaturas, mas veja-a como algo bastante enganoso.

Não tolere qualquer violação de seu ofício sagrado, lembrando-se de que ele é totalmente espiritual. Não permita que ninguém retire o incenso sagrado de suas mãos. Também não tolere que você mesmo esteja interferindo no servir às mesas. Cuide bem do seu púlpito, das ordenanças e do progresso espiritual de seu rebanho, deixando as coisas temporais aos cuidados de outras pessoas.

Finalmente, meu irmão, e antes de todas as coisas, cultive uma total dependência da influência do Espírito Santo, a fim de tornar bem-sucedidos todos os seus labores. Em seu escritório, Ele deve guiá-lo na escolha das passagens bíblicas e abrir sua mente para tais passagens. No púlpito, Ele deve incendiar seu coração, aplicando a mensagem que você apresenta ao coração dos seus ouvintes. E, em toda a sua carreira oficial e diária, o Espírito Santo tem de mostrar-lhe as coisas de Cristo.

Sem esta obra eficaz, você descobrirá que as rodas de sua carruagem arrastam-se com muita dificuldade e que seu trabalho logo se tornará muito enfadonho. No entanto, com a sanção e o auxílio do Espírito Santo, você não falhará em ganhar almas, alimentar as ovelhas e consolar o corpo místico de Cristo. Tudo isto fará com que seu labor se torne deleitável e proveitoso para sua própria alma.

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Joseph Irons
Autor Joseph Irons



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