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Artigo

Tudo que Necessitamos

Jim Orrick 10 de Julho de 2001 - Vida Cristã

Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.2 Pedro 1.2-4

Moramos em um bairro onde as pessoas costumam regar seus gramados. Para regar nosso gramado temos de estar sempre mudando o regador para as áreas que mais necessitam de água. Como você pode imaginar, essa tarefa é cansativa. Alguns vizinhos possuem sistemas de irrigação que regam todo o gramado com o abrir de uma só válvula. Isto não somente é fácil para eles, mas também é melhor para o gramado.

O povo de Deus às vezes é semelhante a um gramado que precisa ser regado. Imagine, se você puder, que as várias áreas de nossa vida assemelham-se às várias partes de um gramado. Por exemplo, a devoção pessoal é uma área; a vida familiar, outra; a vida na igreja, outra; etc., etc. Essas áreas se tornam secas, e nos sentimos sem vida. Sabemos que não somos tão piedosos quanto deve-ríamos ser. Talvez, perdemos nosso zelo na oração particular ou negligenciamos nossas responsabilidades pessoais. É possível que a pregação da Palavra se torne cansativa para nós, e nosso amor pelos irmãos esfrie-se. Estamos secos; precisamos da água da graça e da paz de Deus. Estamos mundanos e carecemos de espiritualidade. Como podem todas essas diferentes áreas de nossa vida obter a água que necessitam para ficarem saudáveis?

Uma maneira de conseguirmos essa água é utilizar o método que usamos em casa, quando regamos nosso gramado: mude o regador para uma área específica que está seca, a fim de regá-la. A atitude correspondente no âmbito da vida cristã pode envolver a pregação pastoral de uma série de sermões a respeito da vida da igreja, ou ler um livro sobre responsabilidades familiares, ou dedicar atenção intensiva e particular sobre aquela área problemática. Quando aquela área estiver encharcada pela Palavra de Deus, devemos dirigir-nos para outra área que está seca.

Em nossas vidas, existe realmente um tempo para esse tipo de irrigação focalizada. No entanto, um melhor caminho para o sedento povo de Deus receber a graça e a paz que necessita é utilizar o sistema de irrigação de suas almas. Esse sistema regará completamente, com a graça e a paz de Deus, todas as áreas de nossas vidas, de modo que nenhum de nós será estéril ou infrutífero. Esse sistema de irrigação nos encharcará com tudo que necessitamos para a vida e a piedade; inundará nossas almas com pureza e com a própria vida dAquele que é a água da vida. Existe realmente esse sistema de irrigação para o crente? Sim, existe — o conhecimento de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo.

Volte sua atenção à passagem citada (2 Pedro 1.2-4) e veja as principais verdades expressas sobre o conhecer Deus e como este conhecimento é uma fonte de bênçãos para o crente. Inicial-mente, você pode verificar que o conhecimento de Deus é a fonte de onde podemos obter a graça e a paz que necessitamos. Em segundo, você perceberá que o conhecimento de Jesus Cristo é a fonte de tudo que precisamos no que se refere à vida e à piedade. Assim, o conhecimento de Deus é como um sistema de irrigação, na medida que tal conhecimento nos enche ampla e completamente.

Como admitimos na introdução, há um tempo para focalizarmos nossa atenção nos relacionamentos familiares e um tempo para focalizarmos nossa atenção na vida da igreja. Mas, se almejamos uma completa inundação de bênçãos de Deus sobre o seu povo, o melhor a fazer é compreendermos que este objetivo se alcança através da pregação sobre a pessoa de Deus e do Senhor Jesus Cristo. E, conforme percebemos quem Deus é, nossos corações se dilatam em amor para com Ele, Deus, e para com nosso Senhor Jesus Cristo. Esse amor intenso será uma grande motivação para fazermos e seguirmos tudo que Deus requer. Você sabe que, às vezes, seu zelo pela oração particular cresce pouco, e o ardor de sua devoção diminui e parece que vai desaparecer. O amor para com Deus, que se desenvolve a partir de um verdadeiro conhecimento dEle, fará que o ardor de nossa devoção se torne mais intenso. De modo semelhante, no que se refere a uma saturação de todo o povo de Deus, com abundante graça, paz e tudo que é necessário à vida e à piedade, não podemos encontrar um sistema de irrigação da alma melhor do que o conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo.

Devemos observar que a graça e a paz nos são “multiplicadas no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor”. Pedro estava escrevendo a pessoas que já haviam sido salvas. Ele estava escrevendo “aos que conosco obtiveram fé igual-mente preciosa na justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”. Pedro não tinha qualquer receio de referir-se a Jesus Cristo considerando-O Deus. Ele é o Deus e Salvador Jesus Cristo. Em outras palavras, Pedro afirmou: “Sei que vocês já foram salvos. Já obtiveram fé por meio da justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo. Porém, mesmo depois de terem sido salvos e recebido o derramamento inicial da graça e da paz de Deus, vocês ainda precisam de mais paz e mais graça, enquanto procuram viver a vida cristã”. Precisamos de mais graça porque continuamos sendo pecadores e porque, enquanto vivemos nesse mundo e nossos pés se tornam contaminados pelo pecado, precisamos ser novamente purificados. Precisamos cantar novamente, como o fazíamos anteriormente:

Para a Fonte eu corro; 
Lava-me, meu Salvador,
Se não eu morro.

Visto que Jesus nos disse: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”, precisamos da incessante água da graça de Deus, para que sejamos lavados do pecado que continua a corromper-nos, manchar-nos e sujar-nos diante de Deus. A graça necessária para lavar os pecados de um crente se encontra no conhecimento de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo.

E isso não é tudo. Depois que pecamos, e que nossas consciências foram contaminadas, e que nossos corações foram despertados, nós clamamos: “Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos”. Então, Deus pode falar de paz, confortar-nos e restaurar-nos a alegria da salvação por transmitir-nos paz. A paz de Deus, que excede todo entendimento, pode guardar nossas mentes e corações em Cristo Jesus. O Senhor Jesus legou-nos uma paz que o mundo não conhece, nem pode entender. Na noite de sua traição, Ele disse aos seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo”. É uma paz que o mundo não conhece, nem pode entender; porém, é uma paz que você pode ter. É uma paz que pode deixá-lo livre, não somente dos sentimentos de vergonha e culpa do pecado, mas também da ansiedade a respeito do que acontecerá no futuro. Você pode obter essa paz por intermédio do conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Sua consciência, com razão, pode clamar contra você! Uma boa consciência protestará que você merece perecer pelos horríveis pecados que tem cometido contra o Senhor. Mas, por meio do conhecimento de Jesus Cristo e de tudo que Ele fez para expiar os pecados que cometemos, você pode responder à sua consciência: “Ora, veja, minha consciência: sei que você tem bons motivos para clamar contra mim; mas considere o que Jesus fez por mim. Ele sofreu e morreu na cruz, a fim de purificar-me deste pecado”. Então, a sua boa consciência olhará para a obra de Cristo e dirá: “Oh! Se o Filho de Deus sofreu para expiar o seu pecado, isto é o suficiente”. O conhecimento de Jesus Cristo outorga paz à sua consciência. Portanto, “descansa, ó minha alma, retorna ao teu repouso, pois o Senhor tem sido bondoso para contigo”.

Desejo que você observe: não recebemos com escassez ou restrição a paz e a graça outorgadas a nós através do conhecimento do Senhor Jesus Cristo. O que Pedro afirma sobre a graça e a paz? Elas são multiplicadas para nós: não apenas acrescentadas, e sim multiplicadas através do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como está a sua vida? Você sente que existe uma boa irrigação da graça de Deus jorrando sobre o solo árido e sedento de seu coração? Se você disser: “Não”, o que precisará fazer? A graça e a paz podem ser multiplicadas por meio do conhecimento de Deus e de nosso Senhor.

Conhecer Deus e Jesus Cristo é mais do que simplesmente saber fatos a respeito de ambos. Geralmente fazemos distinção entre saber fatos a respeito de alguém e realmente conhecê-lo. Podemos saber fatos sobre uma pessoa que nunca conhecemos. Mas, depois de a termos conhecido e conversado com ela, podemos dizer: “ Eu a conheço; eu a conheço pessoalmente”. Portanto, conhecer Deus e Jesus Cristo não é apenas uma questão de acumular conhecimento dos fatos sobre ambos, embora seja necessário ter um conhecimento acurado a respeito de Deus e de Jesus, a fim de conhecê-Lo pessoalmente. Não podemos simplesmente envolver-nos em uma jornada mística de buscar conhecimento de Deus, sem a orientação das Escrituras. Existem algumas pessoas que tentam experimentá-Lo, sem estudar quem Ele é. Essas pessoas procuram ter um relacionamento pessoal e um andar íntimo com Jesus Cristo, sem estudar a Bíblia para saber quem Ele é. Você não pode conhecer o Deus verdadeiro sem aprender a respeito dEle. Assim, quando afirmo que conhecê-Lo não é a mesma coisa que saber fatos a respeito de Deus, não estou minimizando a importância do conhecimento de fatos. Você precisa estar ciente dos fatos a respeito dEle, antes que O conheça. E, quando você conhecê-Lo, a graça e a paz lhe serão multiplicadas. E, à medida que você O conhece e desfruta mais profunda intimidade com Ele, sua graça e sua paz serão multiplicadas cada vez mais. Por isso, à medida que cresce seu conhecimento de Jesus Cristo, também crescerão a sua graça e a sua paz.

Em segundo, observemos que o conhecimento de Jesus Cristo — especificamente o conhecimento de Jesus Cristo — é o sistema de irrigação pelo qual Deus faz jorrar sobre nós tudo que necessitamos para a vida e a piedade. Observe que o versículo 3 começa afirmando: “Pelo seu divino poder...” O divino poder de quem? A resposta mais evidente é: de Jesus Cristo. O apóstolo Pedro acabara de referir-se a Jesus, sendo Ele, com toda a probabilidade, o antecedente do pronome “seu”. O Senhor Jesus possui divino poder e nos deu todas as coisas pertinentes à vida e à piedade. Ele é capaz de outorgar-lhe qualquer coisa que você necessite. Não há receio de que nEle falte poder. O Senhor Jesus tem divino poder.

Também recebo encorajamento da próxima palavra: seu divino poder nos deu.Dar é o meio pelo qual Deus transfere para nós tudo que necessitamos para a vida e a piedade. Ele nos outorga essas coisas. Não existe qualquer troca com Jesus no que se refere a estas coisas. Alguns de nós temos cometido erros nesta área. Temos dito para Deus: “Se o Senhor fizer isto por mim, eu farei aquilo pelo Senhor”. Deus não precisa de nenhum de nossos trastes. Os irmãos de José expressaram sua preocupação de que seriam feitos escravos juntamente com seus animais de cargas (Gênesis 43). José era a segunda autoridade no governo de Faraó e tinha milhares de animais de carga. José não precisava desses poucos jumentos de seus irmãos. Às vezes, esta é a maneira como nos aproximamos de Deus: “Senhor, não quero que toques em meus jumentos; eu venderei um deles e Te darei o dinheiro, se fizeres isto por mim”. Deus não precisa de nenhum de nossos animais de carga. Ele tem divino poder. E, se você receber qualquer coisa que diz respeito à vida e à piedade, terá de recebê-la como uma dádiva.

Lembro-me da história de um médico que havia crescido em uma zona rural. As pessoas de sua cidade se orgulhavam dele; durante cada verão, ele retornava ao seu lar, para visitar a velha fazenda e ficar com seus pais. Enquanto permanecia ali, oferecia gratuitamente seus serviços médicos às pessoas que residiam naquela comunidade. Houve uma mulher que trouxe sua filhinha ao médico, que recomendou uma cirurgia. Com alegria, ele realizou a cirurgia na menina. Mais tarde, a mãe da menina disse ao médico: “Sei que seu costume é oferecer gratuitamente seus serviços, quando vem ao seu lar no verão, mas eu insisto em pagar-lhe pela cirurgia”.

— “Não, faço isso com prazer”, o médico respondeu. 
— “Não quero receber qualquer caridade. Então, quanto devo pagar pela cirurgia?”, a mãe insistiu.
— “Está bem”, disse o médico, “se a senhora insiste. Normalmente eu cobro quatro mil reais por esta cirurgia”.

A mulher ficou chocada. Ela não possuía aquela quantia. O médico continuou: “Agora, ou a senhora me paga toda a sua conta, ou aceita meus serviços totalmente como uma dá-diva”. Ela não tinha escolha; tinha de aceitar como um presente os serviços do médico. O Senhor Jesus se achega a nós como aquele médico e afirma: “Providenciei tudo que é necessário para que você seja salvo do pecado. Mas você me tem oferecido os seus pequenos jumentos nesta ocasião e seu dinheiro noutras ocasiões. Por um lado, você me tem oferecido suas obras; e, por outro lado, tem me oferecido suas boas intenções. Você tem de pagar por toda a sua salvação ou recebê-la de mim como um presente”. É o orgulho que nos torna relutantes em permitir que Deus receba toda a glória por nossa salvação. Esta é a razão por que 99% de nós crentes nos retraíamos e, às vezes, ficávamos irados quando ouvíamos a respeito da soberania de Deus em conceder salvação. Estamos tão acostumados a pensar que, para obtermos uma posição de justiça diante de Deus, isso deve acontecer por meio de algo que façamos, ainda que esse algo seja a nossa fé. No entanto, as doutrinas da soberana graça de Deus retiram o ar do balão de nosso egoísmo. Essas doutrinas nos dizem que, do início ao fim, a salvação acontece como realização da graça de Deus e que, se fôssemos deixados por nós mesmos, jamais viríamos a Deus. No que se refere à salvação por meio de Jesus Cristo, é tudo ou nada. Seu divino poder nosdeu...

Observe também a próxima sentença: “Ele nos deu todas as coisas que conduzem à vida e à piedade”. Quantas coisas? Todas as coisas. Tudo. Ele não precisa de nossos acréscimos. As alterações são desnecessárias e, ao mesmo tempo, desagradáveis para Ele.

O Senhor Jesus nos deu todas as coisas que conduzem à vida e à piedade. Ora, é exatamente isso que um pecador corrompido necessita. Ele precisa devida e de piedade. A Bíblia afirma que, por causa do pecado, estamos mortos em delitos e pecados. Precisamos de vida, antes de sermos justificados diante de Deus, que não é Deus de mortos, e sim de vivos. Para Ele ser o nosso Deus, temos de nascer de novo; precisamos ser ressuscitados dos mortos; assim como Jesus saiu vivo do sepulcro, temos de sair vivificados do sepulcro do pecado. Como isto pode acontecer-nos? Pelo divino poder de Jesus, que por meio de seu conhecimento nos deu todas as coisas que conduzem à vida e à piedade.

Não somente precisamos de vida, mas, depois que Ele nos vivifica, necessitamos de piedade. Mesmo após termos sido salvos, ainda pecamos e nos contaminamos por impurezas e por nos afastarmos de Deus. Como podemos obter a piedade que necessitamos? Novamente, através do conhecimento de Jesus Cristo. O texto em seguida diz que adquirimos tudo que necessitamos por meio do “conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude”. Por conseguinte, através do conhecermos a Cristo, com intensa afeição, recebemos tudo que nos conduz à vida e à piedade.

O Senhor Jesus é descrito como aquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Ele nos chamou. Não fomos nós quem O persuadiu a vir para nós; pelo contrário, Ele nos persuadiu a vir a Si mesmo. Freqüentemente, as Escrituras se referem aos crentes como chamados. Essa qualificação dos crentes salienta o fato de que nossa salvação depende da iniciativa divina.

O Senhor Jesus nos chama, e quando nós vamos até Ele, isto não acontece porque existe em nós qualquer glória. Não acontece porque temos bastante percepção para compreender como podemos nos achegar a Ele; pelo contrário, o próprio Senhor Jesus nos chama por sua própria glória. Isso também não acontece porque temos virtude e, conseqüentemente, possuímos sensibilidade suficiente para virmos a Ele; acontece por causa da virtude do próprio Senhor Jesus. Ele nos chamou por sua própria glória e virtude. Essa forma de entender a afirmativa do versículo é ainda mais enfática no que diz respeito ao ensino de que nossa salvação depende da glória e da virtude de Cristo, e não de nossa glória e de nossa virtude.

Essa glória e virtude nos impulsiona àquele que para Si mesmo nos chama do viver no pecado. O Senhor Jesus também nos deu as preciosas e grandíssimas promessas. Observe isso no texto: “Pelas quais (isto é, pelas graças da glória e da virtude manifestadas em Cristo Jesus) nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”. Jesus Cristo nos tem dado todas as coisas necessárias à vida e à piedade, dentre as quais se encontram as grandes e preciosas promessas. Nessas promessas existe grande medida de poder. Não tenho dúvida alguma de que Pedro estava falando a respeito das promessas do evangelho: a de ter nossos pecados perdoados, a de sermos guardados por Deus até ao Grande Dia, a do retorno de Cristo à terra, a de que Ele nos reconhecerá como seu povo diante de toda a assembléia de anjos e de pessoas no Dia do Juízo. Essas promessas contidas no evangelho têm grande poder. Por meio delas, quando as recebemos e nelas descansamos, nos tornamos participantes da natureza divina. O quê? Participantes de que natureza? Para aqueles filhos de Deus que não sabem o que significa a palavra “divina”, ela se refere à natureza de Deus. Portanto, a passagem poderia ser lida assim: “Para que nos tornemos participantes da natureza de Deus”. Espere um minuto. Isto significa que nos tornamos pequenos deuses, como afirmam alguns incrédulos? Não. Significa que a vida de Deus é implantada na alma do crente. A alma de todos aqueles que verdadeiramente crêem nas promessas e recebem a Cristo é marcada com a própria natureza de Deus. Na verdade, o cristianismo autêntico poderia ser resumido nas seguintes palavras: “A vida de Deus na alma de uma pessoa”. Ainda que isto pareça excessivamente maravilhoso, por meio dessas mui grandes e preciosas promessas, nos tornamos participantes da natureza divina.

“Paixões” é um vocábulo que se refere não somente ao desejo sexual impróprio, mas também ao desejo pecaminoso pelo uso ilegítimo de qualquer dádiva de Deus. Evidentemente, todo pecado é um uso ilegítimo das dádivas divinas. O diabo nunca criou qualquer prazer. Deus criou todos os prazeres. Às vezes, motivados por intensos desejos por prazer, utilizamos mal as dádivas de Deus e desobedecemos a Ele. O uso inadequado dos prazeres criados por Deus sempre constitui pecado. Em qualquer ocasião que escolhemos o prazer, ao invés da obediência a Deus, estamos transformando o prazer em um deus que preferimos acima do verdadeiro Deus. Vocês que nunca vieram a Cristo, pela fé, ainda não consideraram o que realmente estão fazendo? Eu não sei o que lhes impede de vir ao Senhor Jesus Cristo. Porém, seja o que for, vocês estão elevando esta coisa, ou pessoa, ou desejo, e colocando-a acima de Deus. Na realidade, vocês estão adorando esta coisa, esta pessoa ou este desejo, mais do que estão adorando a Deus. Ele não receberá qualquer adoração de vocês, até que abandonem essas paixões, destruam esses ídolos e venham a Cristo.

Por meio dessas mui grandes e preciosas promessas, recebemos graça, paz e todas as coisas necessárias para escaparmos da corrupção das paixões que há no mundo. O povo de Deus tem de ser um povo diferente; temos de ser um povo santo, e não um povo impuro. Observamos assim que esta é a maneira como Deus vê o pecado. Ele o vê como uma corrupção, uma podridão. Nosso pecado faz que nos sintamos impuros, quando chegamos à presença de Deus. Não admiramos o fato de que Davi clamou: “Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado” (Sl 51.2). Ele se sentiu imundo por causa daquilo que fizera. Sei que alguns de vocês têm este mesmo sentimento. O que devem fazer vocês que estão perdidos, por nunca terem encontrado a Cristo; vocês que não conhecem o caminho, a verdade e a vida, ou seja, o Senhor Jesus Cristo? Jesus convida: “Venham a mim, venham a mim; vocês crêem em Deus, creiam também em mim”. Que Deus, o Espírito Santo, ajude-os a entender essas verdades. Parem de olhar para si mesmos, bem como para o seu próprio pecado. Olhem para Jesus, que é a fonte da água viva. Ele é a fonte que foi aberta para a purificação dos pecadores. Venham a Jesus; Ele os purificará.

Insisto em dizer que o Senhor Jesus é o sistema de irrigação de água viva. O salmista pensava sobre isso, quando afirmou: “A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água”; ou, conforme cantamos: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma”. Vem sobre nós, assim como o orvalho cai sobre a grama nova. Irriga a nossa sequidão e encharca as nossas almas contigo mesmo — essa é uma oração apropriada não somente para as almas que ainda estão perdidas, mas também para nós, que já recebemos a fé igualmente preciosa. Ainda precisamos que a graça e a paz nos sejam multiplicadas; ainda precisamos de todas as coisas que conduzem à vida e à piedade; ainda precisamos nos apropriar das mui grandes e preciosas promessas pelas quais nos tornamos participantes da natureza divina. Precisamos nos livrar da corrupção das paixões que há no mundo… e sobre essas promessas, descansar.

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Jim Orrick
Autor Jim Orrick

Criado em lar cristão e salvo aos 14 anos de idade, cresci ouvindo meu pai anunciar o evangelho da soberana graça de Deus. Comecei a pregar aos 17 anos...



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