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Artigo

Não tenha vergonha da Bíblia!

John Piper 14 de Abril de 2019 - Vida Cristã

Não importa qual o caminho que minha mente siga hoje em dia, não posso escapar do papel absolutamente único e essencial que a Bíblia desempenha no propósito de Deus para o universo, para a história, para a igreja, para as escolas cristãs e para nossas vidas pessoais, agora e na eternidade.

Nosso modo de pensar, sentir e agir em relação à Bíblia, com a Bíblia e da Bíblia é decisivo para determinar se nossas vidas, escolas e igrejas estão em conformidade com os propósitos de Deus em relação à salvação e exaltação de Cristo para a história e para toda a criação.

Pense nas implicações impressionantes para as bilhões de pessoas em todo o mundo, incluindo a maioria dos mais e dos menos educados, a maioria dos ricos e a maioria dos pobres – pessoas de todas as línguas, tribos e nações, homens e mulheres, jovens e idosos, que virtualmente nunca orientam o que pensam, sentem ou fazem em torno do que Deus revelou na Bíblia.

Sem a Bíblia

Isso é surpreendente porque, sem discernir corretamente o que é revelado apenas na Bíblia, não podemos conhecer as realidades mais importantes da vida.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer a verdadeira natureza de Deus e a beleza de sua santidade.

Sem a Bíblia, não podemos saber que exaltar a glória de Deus é o propósito final do universo.

Sem a Bíblia, não podemos saber que o caminho que Deus designou para a sua glória ser mais plenamente exaltada é através de um povo que é suprema e eternamente feliz nele.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer a eterna divindade de Cristo, o Filho de Deus, e que todas as coisas foram feitas através dele e para ele.

Sem a Bíblia, não podemos saber que todas as coisas que existem – de galáxias a moléculas – são mantidas em existência pela segunda pessoa da Trindade, o Filho de Deus.

Sem a Bíblia, não podemos saber que o Filho de Deus se fez carne e habitou entre nós na pessoa de Jesus Cristo.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer as insondáveis ??riquezas das realizações de Cristo na cruz – sua propiciação por causa da ira de Deus, seu sofrimento sob a maldição da lei, sua condenação a favor dos eleitos, tornando-se pecado mesmo não conhecendo o pecado, suportando o peso das iniquidades de todo o seu povo, adquirindo perdão, aceitação, adoção, livramento do inferno, entrada na vida eterna, e o sim de Deus a todas as promessas da Escritura para o seu povo.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer o caminho da salvação pela graça através da fé como um dom de Deus à parte das obras da lei.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer o poder onipotente do Espírito Santo que nos ressuscita da morte espiritual, nos concede um novo nascimento, e nos dá novos corações, e nos sela como possessão de Deus pela fé e nos preserva até o dia de Cristo e para sempre.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer o verdadeiro caminho da santidade e como o Espírito Santo, pela fé, opera em nós o fruto da justiça que vêm através de Jesus Cristo para a glória e louvor de Deus.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer o significado da igreja com Cristo como a cabeça do corpo, e todas as hostes do céu observando como a sabedoria de Deus é representada na reunião dos redimidos de todos os povos do mundo.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer o significado do casamento como uma representação planejada por Deus do amor e da aliança entre Cristo e sua igreja.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer o significado de nossos próprios corpos físicos como comprados com o sangue de Cristo para ser habitação do Espírito de Deus.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer as dimensões da literatura e da arte que se aproximam da verdade absoluta.

Sem a Bíblia, não podemos conhecer a fonte e o objetivo da ciência.

E sem a Bíblia, não podemos saber como amar completamente ninguém – isto é, de um modo que lhes faça bem eterno.

Não podemos conhecer nenhuma dessas coisas de uma maneira salvadora – isto é, de um modo que qualquer um, nós mesmos ou outras pessoas, tenhamos um bem permanente – à parte do discernimento correto do que é revelado na Bíblia. E, portanto, todos os objetivos dessa comunicação, à parte do correto manuseio da Bíblia, se tornam nulos.

Portanto, cada vez mais, me parece que a futura fidelidade à glória de Deus, a obediência dependente do Espírito e a exaltação de Cristo pela frutificação em nossas igrejas, em nossas escolas e instituições, e em nossas vidas, dependem da forma de pensar e sentir a respeito da Bíblia.

Assim, minhas dez aspirações para comunicadores cristãos, sejam pastores, pregadores, escritores, professores, editores, pais ou amigos, são todas formuladas em relação a isso – nosso pensamento e nosso sentimento sobre a Bíblia.

Corações que ouvem

Alguém pode perguntar – na verdade eu pergunto – “Mas realidades gravadas profundamente no nosso coração como humildade, vida espiritual, submissão a Deus, e sensibilidade à realidade espiritual não deveriam preceder e permitir um correto manuseio da Bíblia? E esse não deveria ser o objetivo das escolas e ministérios cristãos – cultivar uma espécie de coração e mente que cria a humildade e a submissão que então é submetido a tudo o que a Bíblia ensina”?

Certamente, devemos nos comprometer com essas realidades mais profundas. Mas aqui está o problema: a única razão pela qual sabemos que tais realidades devem existir antes que a Bíblia possa ser conhecida e amada e tratada como deveria ser, é que a Bíblia nos ensina que elas devem existir.

A Bíblia nos ensina que algo mais profundo do que a Bíblia torna possível que o coração humano se submeta à Bíblia. Portanto, como vamos articular e justificar o objetivo de buscar, no coração, algo mais profundo que a Bíblia sem usar a Bíblia?

Isto significa que entre as nossas aspirações para atividades cristãs como escrever, pregar e ensinar, deve estar a de manusearmos a Bíblia de forma que se torne provável que encontremos na Bíblia tudo o que precisamos encontrar para usar a Bíblia corretamente.

Dez aspirações

Então deixe-me sugerir dez aspirações, ou objetivos, para os comunicadores cristãos e como eles se relacionam com a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação à Bíblia.

1. Abraçar a Inerrância

Façamos com que nosso objetivo seja o de que todo pastor e mestre, todo membro docente e administrador, todo escritor e orador, dê assentimento alegre e sincero à completa veracidade – isto é, inerrância – da Bíblia em tudo o que ela ensina.

2. Não tenha Vergonha

Que tenhamos como objetivo não ter vergonha de nada que foi ou deve ser feito em relação ao que a Bíblia descreve como a vontade de Deus e que ele determinou que fosse feito. Por exemplo, não ter vergonha da ordem de Deus no livro de Josué, de que todos os cananeus fossem mortos. Não ter vergonha de sua permissão de poligamia, divórcio e escravidão no Antigo Testamento. Não ter vergonha de sua ordem para que Isaías andasse nu. Sem vergonha do ódio sagrado dos escritores inspirados por pessoas perversas – nos Salmos, por exemplo. Sem vergonha de defender a criação do mundo seis mil anos atrás, se é isso que o texto ensina. Sem vergonha da ordem na qual os homens espiritualmente qualificados, em vez de mulheres, devem ser os Presbíteros das igrejas e os chefes das famílias constituídas por um pai e uma mãe. Sem vergonha de que exista um único caminho para salvação – conhecendo e crendo no evangelho de Cristo. Sem vergonha do ensinamento de que aqueles que praticam a homossexualidade, ganância ou embriaguez, ou insultam ou enganam, e não se arrependem, sofrerão eternamente no inferno.

Pois, se estamos envergonhados dessas partes da Bíblia, o amor pela aprovação humana em detrimento da aprovação de Deus começou a criar raízes. E essa raiz é a fonte de muita deserção da verdade bíblica, especialmente na vida acadêmica (Jo 5.4).

3. Perseguir as intenções dos autores

Vamos nos empenhar em estar comprometidos com todo o ensino da Bíblia de tal forma que os congregantes, leitores e estudantes estejam preparados para prestar atenção detalhada às suas palavras, frases, cláusulas e lógica, e para penetrar através destes instrumentos humanos até às intenções mentais, emocionais e comportamentais dos autores, e às grandes realidades que eles estão tentando comunicar.

4. Construa uma visão bíblica da realidade

Tenhamos como objetivo construir equipes que reflitam profundamente sobre as realidades das Escrituras em relação a todas as outras observações em todas as outras disciplinas, que os alunos e leitores sejam capazes de ver a profunda relevância da visão bíblica da realidade para tudo o que pensam e estudam, que não haja nenhum constrangimento em relacionarmos tudo com as Escrituras e testarmos tudo pelas Escrituras, porque descobrimos que a revelação de Deus sobre o mundo nunca pode ser superficial ou irrelevante.

5. Fale com Precisão

Procuremos manejar as Escrituras com tanta precisão, cuidado e discernimento, iluminação espiritual e autenticidade experiencial, que o nosso padrão não seja o de falar em generalidades vagas sobre a vontade de Deus e da maneira de Deus, mas sejamos verdadeiramente hábeis para observar pontos específicos dos versículos da Bíblia onde a realidade gloriosa é revelada e onde a vontade de Deus e os caminhos de Deus são explicitados, e podendo fazê-lo, felizmente, de tal forma que nós citamos as verdades da Escritura com pouca preocupação em relação a estarmos sendo criticados. Em outras palavras, deixe-a permanecer como uma advertência contínua de que, nos últimos cem anos, aqueles que rejeitam a realidade por trás da Escritura têm feito isso enquanto continuam a usar a linguagem cristã, mas evitam citações textuais precisas.

6. Ame os idiomas

Vamos nos empenhar em dar um alto prêmio em nosso treinamento pastoral sobre o domínio do grego e do hebraico, na medida em que futuros pregadores tenham confiança suficiente de que quando interpretam o texto grego e hebraico do Antigo e do Novo Testamento, eles estão extraindo a intenção do autor e estão em contato com a realidade que Deus está revelando por trás e através do texto. Nunca permitamos que a pressão pragmática sobre os pastores coopere para diminuir nossa confiança de que o ensino de grego e hebraico, na verdade, os tornará ainda mais úteis a longo prazo na igreja de Cristo.

7. Cultive Hábitos do Coração

Vamos tentar tornar a Bíblia tão fundamental e tão difundida em todos os aspectos de nossos currículos de faculdades e seminários de forma que ela nunca seja vista como a competência de apenas um departamento, como o de estudos bíblicos, em vez de ser essencial para todos os departamentos, de modo que os alunos realmente percebam que o estudo sério das Escrituras aprofunda suas capacidades em seus hábitos do coração: observação, compreensão, avaliação, sentimento, aplicação e expressão. Procuremos tornar a Bíblia tão proeminente, tão difundida e profundamente relevante em lidar com todo tipo de assunto que os alunos cresçam em sua confiança de que o que pode ser conhecido somente através da Bíblia aumenta e aprofunda e esclarece e fortalece tudo o que eles aprendem de outras fontes.

8. Celebre a relevância

Procuremos tratar da Bíblia de tal maneira que ela sempre se sobressaia, para aqueles que lerem o que escrevemos e ouvirem o que dizemos, como uma fonte de revelação divina absolutamente oportuna, relevante e indispensável com relação ao mundo em que vivemos. Nunca deixemos a impressão de que este Livro é de alguma forma antigo, ultrapassado ou irrelevante, mas de fato está repleto do tipo de sabedoria humana, histórica, cultural, social, psicológica e relacional que se aprofunda e dura mais tempo do que as tendências passageiras de todas as humanidades e ciências sociais e físicas.

9. Mostre estima contagiosa

Vamos nos concentrar em ensinar e explicar a Bíblia dessa maneira, e viver a Bíblia de forma a encorajar, equipar e capacitar futuros pastores, professores e escritores a se comunicarem de uma maneira que aqueles que os ouvirem reconhecerão sua alta estima pela autoridade, sabedoria e valor da Bíblia, e ficarão gratos, e até maravilhados, com os tesouros que eles compartilham da Escritura para a vida cristã com todas as suas alegrias e tristezas.

10. Ore Sinceramente e Constantemente

Procuremos cultivar um caráter de fervorosa e contínua oração por humildade e iluminação, dadas por Deus, que não apenas nos revele o significado mais profundo e rico do que a Bíblia ensina, mas também nos permita ver a glória que revela a autenticidade de Deus no e através do texto, que fornece a base da nossa confiança inabalável na origem e autoridade divinas e na relevância universal da Bíblia.

Se Deus quiser, em sua misericórdia e poder, cumprir esses objetivos nos anos vindouros, creio que a fidelidade que glorifica a Deus, a obediência dependente do Espírito e a exaltação de Cristo pela frutificação de nossas igrejas, ministérios e instituições acadêmicas excederão todas as nossas expectativas.

 

Tradução: Paulo Reiss Junior.

Revisão: Filipe Castelo Branco.

Fonte: Unashamed of the Bible.

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