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Artigo

Livros e materiais proveitosos para se interpretar a Bíblia

Bob Johnson 18 de Abril de 2018 - Estudos Bíblicos

Trecho do livro 40 Questões para se Interpretar a Bíblia, de Rob Plummer, da Editora Fiel.

Como professor de Novo Testamento, às vezes as pessoas me pedem conselho sobre materiais de estudo e comentários. Certamente, sou um defensor de possuirmos excelente material que ajude no estudo da Bíblia; mas, a fim de orientarmos a nós mesmos apropriadamente antes de investigarmos esse assunto, comecemos com duas citações do puritano Richard Baxter: “Faça uma escolha cuidadosa dos livros que você lerá. Deixe as Escrituras Sagradas terem a preeminência; e, ao lado delas, os tratados que expõem e aplicam melhor as Escrituras; e, ao lado destes, as histórias confiáveis, em especial da igreja... mas tenha cuidado com o veneno dos escritos de falsos mestres, que corromperia seu entendimento.”

Não é a leitura de muitos livros que é necessária para tornar um homem sábio ou bom, e sim a boa leitura de uns poucos livros, se ele estiver certo de que tem os melhores. E não é possível ler muitos livros sobre o mesmo assunto, sem uma grande quantidade de perda de tempo precioso.

Duas coisas se destacam nessas citações: a preeminência da Escritura e a necessidade de termos discernimento a respeito de quais livros consultar. Nessa questão, admitiremos a prioridade da Escritura e avançaremos para dar conselho sobre quais livros específicos adquirir nas várias categorias.

Bíblia de Estudo

Uma Bíblia de estudo proporciona comentários sobre o texto da Escritura. Em geral, essas Bíblias defendem determinada perspectiva teológica (por exemplo, A Bíblia de Estudo de Genebra), ou um interesse em questões de um subgrupo demográfico específico (por exemplo, Bíblia da Mulher), ou uma investigação de questões à luz de certa disciplina teológica (por exemplo, Bíblia Apologética, Bíblia de Estudo Arqueológica), ou a influência de certo mestre cristão proeminente (Bíblia de Estudo MacArthur). Para um cristão jovem, uma Bíblia de estudo pode ser bastante proveitosa por oferecer resumos e pano de fundo histórico de cada livro da Bíblia, suprindo a discussão de textos difíceis e debatidos, bem como oferecendo referências correlatas e índices. Usada erroneamente, uma Bíblia de estudo pode prover uma espécie de apoio que desestimula os cristãos a pensarem sozinhos sobre os textos e a labutarem com eles. Além disso, se uma pessoa compra uma Bíblia de estudo de uma perspectiva teológica específica, depara com o risco de deixar as predileções teológicas assumirem prioridade sobre o texto da Escritura.

Concordâncias

Uma concordância é um índice para a Bíblia. Uma concordância exaustiva lista cada ocorrência de cada palavra na Bíblia. Muitas pessoas que cresceram usando a King James Version (KJV) estão familiarizadas com a Strong’s Concordance (Concordância de Strong), uma concordância exaustiva da KJV compilada por James Strong (1822-1894) e publicada inicialmente em 1890. Concordâncias estão disponíveis para todas as principais traduções da Bíblia em inglês e, se você comprar uma concordância, deve obter uma para a tradução que você usa regularmente. Por causa da tentativa de traduzir, de forma coerente, as palavras gregas e hebraicas do texto bíblico, traduções formalmente equivalentes (palavra por palavra) são mais fáceis de usar com uma concordância. Empregada corretamente, uma concordância permite ao leitor não somente encontrar a repetição da mesma palavra na tradução, como também determinar a palavra grega ou hebraica por trás dela. (Atribuem-se números às palavras gregas e hebraicas para que aqueles que não conhecem essas línguas possam seguir a repetição das palavras em toda a Escritura.)

Ao usar uma concordância, aqueles que têm pouco conhecimento de linguística podem fazer suposições erradas sobre como aplicar seu reconhecimento de palavras repetidas. Por exemplo, um princípio básico de linguística é que as palavras têm um campo semântico e que o contexto imediato é o mais importante determinador do significado. Com uma concordância, um intérprete iniciante poderia forçar as nuanças contextuais de uma palavra numa passagem e aplicá-las em outra passagem. Com as cautelas apropriadas, uma concordância pode ser uma ferramenta muito útil. Qualquer software de Bíblia satisfatório terá também um recurso de pesquisa que funciona como uma concordância exaustiva.

Obras de estudo de palavras

Nunca antes na história do cristianismo, houve menos necessidade de estudo das palavras. Com a multiplicação de excelentes e modernas traduções da Bíblia, seus leitores têm o fruto da meticulosa pesquisa dos eruditos. Ao mesmo tempo, é um desejo saudável o cristão querer acessar a essência de cada palavra da Escritura. No entanto, como já dissemos, uma euforia linguística mal instruída pode resultar em distorções do texto, e não em maior entendimento. Em seguida, apresentamos os dois perigos comuns em referência ao estudo de palavras.

1. Transferência ilegítima de totalidade. Todas as palavras têm um campo semântico, e as nuanças de cada uso específico não podem ser atribuídas a todos os outros usos da palavra. Ou seja, se o leitor pega a totalidade do que uma palavra pode significar e entende essa potencialidade como uma realidade em cada ocorrência da palavra, terá transferido ilegitimamente a totalidade do que a palavra significa para cada ocorrência (por isso, a designação “transferência ilegítima de totalidade”). Pessoas toleram abordagens linguísticas errôneas da Bíblia que elas nunca aceitariam na fala comum. Por exemplo, imagine a admiração com que uma pessoa seria vista se dissesse: “Você acabou de usar a palavra celular para descrever seu telefone. Mas, por essa palavra, entendo que seu telefone é um aparelho de comunicação sem fio e um objeto formado de microscópicas bolhas de protoplasma”. É evidente que somente um dos potenciais significados é intencionado. Mas quantas vezes ouvimos potenciais significados serem dados por um pregador como “o real significado” de uma palavra na Bíblia? Sem melhor instrução, esses materiais podem levar algumas pessoas pelo caminho da transferência ilegítima de totalidade.

2. Falácia etimológica. Etimologia é o estudo da ancestralidade das palavras. Portanto, a falácia etimológica é acreditar erroneamente que conhecer a história de uma palavra nos dá discernimento mais profundo quanto ao seu significado corrente. Tem havido períodos na erudição bíblica em que eruditos muito bem instruídos foram tomados pelo encanto da etimologia. Mais comumente, na pregação popular, ouvimos a etimologia de uma palavra sendo dada como “o que a palavra realmente significa”. Para ilustrar a tolice da falácia etimológica aos meus alunos, dou exemplos de nossa língua. Vejamos:

• Quando você ouve seu vizinho falar em lançar herbicida nos dentes-de-leão no jardim, pensa nas palavras francesas dent de lion. Você pode perguntar: “Aquelas pragas rugidoras estão cravando de novo seus incisivos agudos em seu jardim, não estão?”.

• Sua esposa diz que está cozinhando lasanha para a janta. Você pode lembrar que a palavra lasanha deriva, em última instância, da palavra grega que significa “urinol do quarto” (lasonon). “Vai nos servir outra vez do toalete?”, pergunta você inocentemente.

A realidade é que as palavras significam o que os escritores tencionavam que elas significassem no contexto histórico em que foram escritas. O uso comum do idioma (o potencial campo semântico de uma palavra) restringe a possibilidade de significado, a menos que o autor indique claramente que está usando uma palavra de maneira diferente de como seria entendida normalmente. Assim, no começo do século XXI, dizer que alguém está usando “roupa gay” (sem especificação adicional) significa algo bem diferente do que significava quando os tradutores da KJV escolheram essa expressão ao traduzirem Tiago 2:3 no século XVII.

Apesar de todas essas advertências contra o mau uso de estudos de palavras, eles podem ser úteis para esclarecer as nuanças de palavras importantes. No caso de uma palavra muito rara, da qual temos poucas outras ocorrências no mesmo período, pode ser legítimo apelar à etimologia para nos ajudar a determinar seu significado. Também os nomes próprios (os nomes de pessoas e lugares) são apresentados muitas vezes na Escrituras como instruídos por sua etimologia. O mais confiável e disponível material de estudo de palavras para aqueles que não têm familiaridade com o grego e o hebraico pode ser detalhes pode ser Mounce’s Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words. Quanto a mais detalhes, ver New International Dictionary of Old Testament Theology e New International Dictionary of New Testament Theology.

Comentários

Comentários são livros que explicam o texto da Escritura, geralmente segundo um método de versículo por versículo ou parágrafo por parágrafo. Há comentários de toda a Bíblia de um único volume,4 porém as reflexões mais abrangentes e mais prudentes sobre as Escrituras podem ser encontradas em monografias dedicadas a livros individuais da Bíblia. Comentários individuais são também focalizados em livros relacionados, como as Epístolas de João (1, 2 e 3 João) ou as Epístolas Pastorais (1, 2 Timóteo e Tito).

Se um professor cuidadoso tivesse de ensinar sobre Romanos, deveria obter vários bons comentários para ler em sua preparação semanal. No mínimo, os comentários funcionam como uma comunidade virtual de outros crentes dialogando com o professor sobre o texto. Um professor cristão não deve trabalhar em isolamento ou rejeitar as informações benéficas de outros professores dotados e colocados na igreja pelo Espírito Santo. No nível mais fundamental, um comentário protege um professor de interpretações idiossincráticas. De fato, se você é a única pessoa que entende uma passagem bíblica de determinada maneira, é quase certo que você esteja errado.

Algumascautelassobreoscomentáriosdevemsernotadas: Um dos melhores comentários bíblicos de um único volume é The New Bible Commentary: 21st Century Edition, ed. G. J. Wenham, J. A. Motyer, D. A. Carson e R. T. France (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1994).

1. Pastores ou leigos diligentes são, às vezes, pessoas ansiosas por obter uma série completa de comentários, ou seja, um conjunto produzido sob o mesmo título por uma única publicadora. Embora esse jogo de comentários tenha ótima aparência na estante de seu possuidor (e proporcione um ar de erudição), é melhor comprar volumes individuais baseados na qualidade da erudição. Comentários dentro da mesma série podem variar muito em qualidade. Dinheiro gasto na aquisição de obras medíocres ou de baixa qualidade é dinheiro desperdiçado. Eu possuo várias séries completas de comentários, mas foram todas compradas com grande desconto.

2. Cristãos estudiosos são atraídos por softwares que prometem centenas de comentários e/ou a capacidade de obter eletronicamente outros comentários. No entanto, se a pessoa não aprecia ler livros no computador, deveria ser alertado, de antemão, sobre comprar uma biblioteca digital. Além disso, muitos dos títulos que vêm, por padrão, em alguns softwares de Bíblia são volumes que já estão em domínio público (talvez disponíveis para download gratuito em websites) ou são obras de limitado valor de erudição. Para conseguirmos realmente os melhores comentários, temos de pagar – ou por uma cópia digital ou por um livro encadernado. Tenho uma série completa de comentários da Bíblia no disco rígido de meu laptop, The Expository Bible Commentary (Zondervan). Essa série existe também em cópias físicas, com 12 volumes. Gosto de ter essa série em formato digital por duas razões. Primeira, quando estou viajando com meu laptop, asseguro-me de ter pelo menos um comentário geral proveitoso sobre os livros da Bíblia. Segunda, ao dar respostas rápidas aos emails sobre passagens específicas da Bíblia, às vezes ganho tempo por apenas “colar” uma porção do comentário (com a citação adequada, é claro).

3. Os cristãos são aconselhados a formar sua biblioteca devagar e prudentemente. Toda vez que você começa o estudo detalhado de um novo livro da Bíblia, deve consultar um destes dois livros orientadores para determinar quais comentários individuais comprar: Old Testament Commentary Survey, de Tremper Longman, ou New Testament Commentary Survey, de D. A. Carson. Essas obras estão cheias de conselhos excelentes e também dignas de averiguação rápida devido às sugestões gerais sobre adquirir e usar comentários.

4. Muitos pastores e professores têm as estantes cheias de volumes que nunca leram e nunca lerão. Dinheiro para adquirir livros que nunca serão lidos tem melhor destinação em coisas mais produtivas. Há muitas maneiras de adquirirmos livros necessários a um custo acessível. Seja criativo e diligente. Você será recompensado pelo fruto de sua frugalidade.

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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

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Bob Johnson
Autor Bob Johnson

Robert “Bob” Johnson é pastor da Cornerstone Baptist Church em Roseville, Michigan.