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Artigo

Permanecer em Cristo somente | Parte 2/2

Barbara R. Duguid 02 de Fevereiro de 2018 - Família

O texto abaixo foi extraído do livro Graça Extravagante, de Barbara Duguid, da Editora Fiel.

Embora a obediência exija, a cada momento, um novo ato do Espírito Santo, a Confissão de fé de Westminster nos lembra que não devemos usar isso como desculpa para desistirmos da luta. Este é um lembrete sábio e necessário. Talvez seja inevitável que, quando seres humanos caídos se depararam com a notícia desanimadora de que não conseguem “fazer as coisas”, alguns concluam que seus pecados são, na verdade, culpa de Deus e, por isso, não precisam tentar levar sua vida de maneira obediente. Parece que o apóstolo Paulo estava acostumado a ser indagado sobre esta mesma questão — “Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” (Romanos 6.1) — e sua resposta era “NÃO!” Pode fazer sentido à sabedoria humana que, se o pecado abre, de algum modo, as comportas da misericórdia de Deus e libera as fontes de graça, então devemos pecar mais, para obtermos mais graça. A palavra de Deus, porém, diz: “Absolutamente não!” Um dos erros mais tristes que podemos testemunhar é crentes usarem a paciência e a bondade de Deus, bem como a sua misericórdia e graça, como pretexto para pecarem de maneira escandalosa e flagrante. Ainda assim, não precisamos entrar em pânico ou desespero. Uma vez que o Espírito Santo governa completamente que pecados serão ou não serão cometidos, até os pecados de seus filhos imaturos e mal orientados serão usados para a glória de Deus e o bem deles mesmos.

Só Deus sabe por que tolera as “travessuras abomináveis” (como Newton as chamava) daqueles que resgatou. Contudo, está claro nas Escrituras que a beleza do evangelho foi planejada para nos fazer querer obedecer cada vez mais a Jesus e não cada vez menos. O perdão radical que temos em Jesus nos permite viver a nossa vida com confiança e ousadia, embora ainda pequemos em grande medida todos os dias. Entretanto, o perdão de Deus não tem o propósito de servir como autorização para cedermos à libertinagem, à linguagem torpe, ao alcoolismo e à imoralidade sexual. Quando Martinho Lutero disse a Filipe Melanchthon que “pecasse ousadamente”, ele tinha em mente que Melanchthon reconheceria a realidade do seu pecado interior, de modo que também orasse com ousadia em busca da graça de Deus, em vez de buscar ativamente seus desejos pecaminosos. Eu me entristeço quando ouço cristãos anunciarem seus pecados audaciosos em nome da graça e de Martinho Lutero. O evangelho nos leva a uma profunda tristeza por nosso pecado, combinada com uma grande alegria em nosso Salvador, mas nunca a uma apreciação ousada e exagerada do pecado.

John Newton não teve problema algum em examinar e proclamar a total incapacidade do crente para obedecer e, ao mesmo tempo, exortar cada crente a se esforçar por santificação. Ele disse, por exemplo:

É mandamento de Deus e, portanto, dever deles; sim, com base na nova natureza que ele nos deu, o desejo deles é vigiar e empenharem-se contra o pecado; disporem-se à mortificação de todo o corpo do pecado e ao avanço da santificação em seu coração como seu alvo principal e constante, para o qual devem ter consideração habitual e perseverante.

Em outro local, Newton escreveu:

É um privilégio do crente andar com Deus no exercício da fé e, pelo poder do Espírito Santo, mortificar todo o corpo de pecado, para obter vitória crescente sobre o mundo e sobre si mesmo e fazer progresso diário em conformidade com a mente de Cristo. E nada que professamos saber, acreditar ou esperar, merece o nome de privilégio além do fato de que somos influenciados a morrer para o pecado e viver para a justiça. Todo aquele que possui a verdadeira fé não limitará suas indagações ao simples ponto de sua aceitação com Deus, nem se satisfará com a esperança distante do céu vindouro. Ele será solícito a respeito de como glorificar a Deus no mundo e desfrutará daquelas antecipações do céu que são alcançáveis enquanto ele ainda está na terra.

Embora permaneçamos nesta vida presos à carne pecadora, repletos de fraquezas e totalmente dependentes de Deus, e embora façamos apenas “pequenos começos em obediência” (conforme elucida o Catecismo de Heidelberg, Pergunta 114), também somos novas criaturas (2 Coríntios 5.17). O Espírito de Deus cria novos desejos em nosso coração e, enquanto nos revela gradualmente a beleza fascinante de nosso Salvador, ele nos garante um anseio crescente de sermos como ele. Por isso, Newton nos chama a trabalhar com afinco em direção a nosso crescimento, enquanto, ao mesmo tempo, mantemos em mente o fato de que sem Cristo nada podemos fazer. O que pode parecer humanamente contraditório se encaixa de modo encantador no plano divino de redenção e de santificação.

Neste assunto, Newton ficava contente em ecoar as notas ressoadas pela Bíblia. As Escrituras nos chamam a correr com toda nossa força (1 Coríntios 9.24) e a enfrentar a luta com todo o nosso vigor (1 Coríntios 6.12). Não precisamos compreender todas as razões pelas quais Deus nos chama a tentar tão arduamente e, apesar disso, nos permite fracassar tão frequentemente. Mas precisamos nos submeter à sabedoria de Deus e, por amor e gratidão a ele, procurar obedecer a seus mandamentos. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14.15). De fato, quanto mais conhecemos o evangelho, tanto mais crescemos em amor e gratidão a Cristo e tanto mais firmemente esse desejo nos atrai e nos motiva.

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Barbara R. Duguid
Autor Barbara R. Duguid

Barbara Duguid é conselheira e assistente de ministério na Christ Presbyterian Church em Grove City, na Pensilvânia, onde ajuda semanalmente com a...