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Artigo

Amizade: remédio de Deus para um ministro esgotado (Parte 1)

Zack Eswine 05 de Maio de 2017 - Igreja e Ministério

O apóstolo Paulo estava física e emocionalmente esgotado. O medo trovejava em sua alma. O conflito o aguardava. Ele não tinha descanso. Em vez de ocultar esse fato, o apóstolo o expressou. Como pastores, a ideia de dar voz ao furacão que bate contra as janelas fechadas de nossas almas parece perigoso. Mas Deus tem um remédio em mente.

Observe como Paulo descreve a sua experiência para a congregação em Corinto: “Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro” (2 Coríntios 7.5).

Paulo era um ministro. Mas ele também era um ser humano que precisava de conforto; o tipo de consolo que as traças e a ferrugem não podem destruir, o tipo de consolo que alcança o íntimo. Você já conheceu esse tipo de necessidade profunda da alma? Você está em boa companhia. Esse nosso predecessor nos diz a maneira pela qual Deus lhe trouxe consolo no ministério.

“Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós...” (2 Coríntios 7.6-7).

Deus confortou Paulo, não pela ausência de estresse, mas pela presença de um amigo no ministério. Não pela ausência do medo, mas pelo testemunho compartilhado em um lugar comum em um dia comum. Isso o surpreende?

Deus confortou Paulo, não pela ausência de estresse, mas pela presença de um amigo no ministério.

 A dor da amizade no ministério

Muitos de nós, pastores, nos resguardamos da amizade com boas razões.

Em primeiro lugar, conhecemos a dor de membros da congregação que nos ajudaram apenas para nos usar ou para nos colocar sobre um pedestal do qual, aos seus olhos, caímos. Nós suprimos um produto ou um bom sentimento. Eles tinham “conhecimento” e gostavam do poder disso. Mas nos conhecer e permanecer conosco em nossa fraqueza e pecado, bem como em nossos dons e sucesso, não era o seu objetivo. No livro O Peregrino, quando Cristão caiu no Pântano do Desânimo, seu amigo chamado “vacilante” o deixou lá para que ele se defendesse sozinho. Muitos de nós no ministério conhecemos essa dor. Dizemos com o rei Davi:

Com efeito, não é inimigo que me afronta;

se o fosse, eu o suportaria;

nem é o que me odeia quem se exalta contra mim,

pois dele eu me esconderia;

mas és tu, homem meu igual,

meu companheiro e meu íntimo amigo.

Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos

e íamos com a multidão à Casa de Deus

(Salmo 55.12-14)

Em segundo lugar, tentar amizade entre colegas ministros também não tem nos oferecido nenhum sossego. Competição, rivalidade, disputa, inveja, almas cautelosas. Arriscar a amizade com colegas ministros, às vezes, é como entrar em um campo minado. Eles também se sentem assim sobre nós. Caminhamos entre colegas ministros como se estivéssemos dirigindo à noite em uma parte insegura da cidade. Fechamos as nossas janelas e trancamos as nossas portas. Assim, em algum momento, encontrar companheirismo entre colegas pastores tornou-se um caminho indigno de confiança para aqueles de nós que trilham o ministério do evangelho.

Recuperando a nossa esperança

O problema, claro, é que seguir sem amigos no ministério representa um perigo genuíno e nos rouba o fortalecimento interior que Deus intenciona nos dar. Paulo nos ensina isso por meio da visita de Tito. Esses dois ministros companheiros não fizeram muito. O que eles fizeram parecia insignificante e pequeno em comparação com a grandeza e força da dor e conflito que Paulo enfrentava. Eles compartilharam tempo, lugar e presença comum. Nada espetacular ou fora do normal aconteceu aqui. E ainda assim, compartilhando histórias, comendo juntos, conversando, rindo, orando, esses dois ministros forneceram os recursos da amizade um ao outro. Eles se confortaram. Abriram as cortinas, sentaram-se em cadeiras, e deixaram o sol brilhar por um momento. Eles falaram de modo humano sobre tudo o que estava em seus corações e sobre a dor provocada em seus corpos. Paulo aprendeu nesse tipo de momento gracioso o que ele agora compartilha conosco.

O companheirismo da alma com um amigo ministro é o meio de Deus proporcionar um conforto profundo nas dores do ministério.

Certamente, isso faz sentido bíblico. Há muito Deus estabeleceu que “Melhor é serem dois do que um” (Eclesiastes 4.9-12). Jesus enviou os seus ministros, “de dois a dois” (Marcos 6.7, Lucas 10.1).

Não surpreende que na antiga história intitulada O Peregrino, Cristão finalmente encontra entre as dores da amizade perdida e dos falsos amigos, uma verdadeira companhia com “Fiel” e “Esperança”. Bunyan chama a atenção para essa necessidade de companhia como dom de Deus:

Quando os santos têm sono, venham cá

E ouçam estes peregrinos conversando.

Sim, e deles aprendam deste modo

Como manter abertos os olhos sonolentos.

A comunhão dos santos, se bem direcionada,

Os mantém alertas, apesar do esforço do inferno.

“Venham cá e ouçam estes peregrinos conversando”. Para que sejamos impedidos de desistir e para terminarmos bem, precisamos de companheiros com os quais peregrinar.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: A FORGOTTEN REMEDY FOR THE WORN OUT MINISTER (PART ONE)

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Autor Zack Eswine

Zack Eswine foi professor de Homilética e diretor de Doutorado em Ministério no Covenant Teological Seminary, em St. Louis, Missouri, EUA. Atualmente,...



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