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Artigo

Ambição pela glória de Deus no local de trabalho (Parte 4)

Dave Harvey 10 de Março de 2017 - Vida Cristã

Há alguns anos, eu escrevi o livro Resgatando a Ambição [Editora Fiel] e convoquei a um resgate. Eu desejava desviar a ambição das muitas motivações más e colocá-la em ação para a glória de Deus. Eu quis que os cristãos percebessem que para compreender a nossa ambição, devemos entender que estamos em uma busca por glória. E onde encontramos a glória determina o sucesso da nossa busca. Desde que escrevi esse livro, muitos sugeriram que eu abordasse o propósito de Deus para a ambição no ambiente de trabalho e na vocação diária. O que segue é a parte 4 de uma série em várias partes sobre o resgate da ambição no ambiente de trabalho. Você pode ler as partes 1, 2 e 3 aqui.

Ambição perdida?

O que acontece quando o egoísmo, a falsa humildade ou a frustração sufocam a ambição? Qual é o resultado quando “Eu não quero ser aquele tolo ambicioso que vence a qualquer custo” se transforma em “Eu não tenho absolutamente nenhum sonho”?

O historiador do século XIX, Alexis de Tocqueville, o descreveu bem, muito antes de “mediascência” se tornar uma palavra da moda:

O que mais me preocupa é o perigo de que, em meio a todas as preocupações constantes e triviais da vida privada, a ambição possa perder tanto a sua força quanto a sua grandeza, que as paixões humanas se tornem mais suaves e, ao mesmo tempo, vulgares, com o resultado de que o progresso da sociedade se torne diariamente mais discreto e menos aspirante.[1]

A observação de Tocqueville deve preocupar a todos nós. Há uma consequência não intencional quando estigmatizamos a ambição. Ela diminui. Os homens não aspiram. As mulheres não sonham. As crianças não desejam ser astronautas; elas ficam satisfeitas em assisti-los na TV. Os sonhos dão lugar a preocupações sobre a segurança e proteção do nosso modo de vida. Nosso desbravador interior se aposenta, contenta-se em relaxar em vez de produzir. Nós lembramos o passado e abandonamos o futuro. O impacto da vida é sepultado sob a condução da vida. A vida se estabelece simplesmente para existir. A ambição, como Tocqueville observou, perde sua força e sua grandeza.

E ser um cristão não significa que o seu dia no trabalho deve ser semelhante a isso.

Ambição encontrada!

Imagine dois trabalhadores, ambos cristãos. Um vê seu trabalho como um obstáculo ao seu desejo de impacto: uma vida relevante. O trabalho é o que você precisa fazer para ganhar a vida. Algo rotineiro. Em sua mente, sua vocação é como você passa o tempo esperando que Deus o coloque em ação, de fato.

O outro cristão vai para o trabalho todos os dias sabendo que está representando o Rei dos Reis, seu verdadeiro Mestre. Ele é um embaixador em um cubículo. Toda relação de trabalho tem significado eterno. Cada projeto é uma oportunidade para refletir o próprio Criador. Esse homem deseja se destacar, porque isso aumentará sua influência para o evangelho. O trabalho é importante, porque é o campo que Deus lhe confiou. É um lugar para semear ambição, e eu quero dizer o bom tipo de ambição.

O que isso significa? Aqui está o grande ponto: Deus está buscando por uma ambição santa. Não o tipo de ambição egocêntrica que avalia o sucesso apenas pela ascensão. Não! Estou falando da ambição ardente, corajosa, intensamente humilde e humildemente intensa que arde por ver o nome de Cristo exaltado e os propósitos de Deus avançarem. Eu escrevi Resgatando a Ambição como um apelo apaixonado para estimular esse tipo de ambição.

Paulo a tinha. Ele disse: “...desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo, esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio” (Romanos 15.19-20).

A ambição de Paulo conseguiu algo maravilhoso: “tenho divulgado o evangelho de Cristo”. Esse é um bom objetivo a ser verificado na lista de tarefas! Ser capaz de morrer dizendo isso deve satisfazer qualquer cristão. Mas Paulo não estava satisfeito. Ele estava grato pelo resultado presente, mas ambicioso pela oportunidade futura. Ao contrário de um executivo corporativo que está sempre ocupado, mas nunca realizado, as ambições piedosas de Paulo lhe permitiram perceber que seu trabalho em um lugar estava feito. Elas também o levaram a considerar novos lugares onde poderia ir para glorificar o nome de Deus através do evangelho. Contente com o presente, mas com anseio pelo futuro: esse era Paulo, o apóstolo da ambição.

Somos chamados a ser ambiciosos? Definitivamente. Mas o objetivo de nossa ambição é a clareza do evangelho no ambiente de trabalho, o labor frutífero para o bem dos outros, o caráter piedoso para uma ética de trabalho firme, para a integridade, para uma liderança forte e clara. Não estamos buscando acariciar nosso próprio ego ou realizar nossos próprios sonhos. Não, buscamos fazer uma declaração sobre o evangelho e testemunhar a obra poderosa da graça em nós, para nos ajudar a andar por um caminho diferente. Os cristãos pertencem ao mercado, porque o evangelho pertence ao mercado.

O chamado para competir

Meu amigo diretor executivo percebeu uma necessidade real entre os cristãos: a necessidade da motivação de Paulo no mercado atual. Um anelo por explorar os nossos dons para o seu pleno potencial de glorificação de Deus, uma ambição que vive grata pelo sucesso passado, enquanto se esforça e é impulsionada para o futuro.

Por que o mundo dos negócios deve ser deixado para o egoísta ambicioso? Meu desejo é ver cristãos piedosos abrirem empresas pela ambição piedosa no centro do comércio, do governo, da universidade e das instituições. Seja onde for que as ideias estejam sendo postas em prática, o evangelho tem coisas a dizer. Nós precisamos de uma ambição que não descanse até que mais empresas sejam iniciadas, mais líderes treinados, mais problemas resolvidos, mais casamentos ajudados, mais arte criada, mais pessoas alcançadas, mais igrejas plantadas, mais discípulos feitos; uma ambição que vive feliz hoje, porém deseja mais para Deus e de Deus amanhã.

Por que esse não seria você?

 

#1 Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, citado em David Brooks, Bobos in Paradise: The New Upper Class and How They Got There [Bobos no Paraíso: A Nova Classe Alta e Como Eles Chegaram Lá] (Nova York: Simon & Schuster, 2000), 271.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: RESCUING AMBITION IN THE WORKPLACE – PART 4

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